quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O SENTIMENTO DO ADEUS

                                                   "FRUTO" - ÓLEO SOBRE TELA - ROBERTO FERNANDES








O sentimento que o adeus despertou...
Algo que escondo das pessoas na rua.
Esses desconhecidos.
Esses que não sei o nome.
Que cruzam a minha ventura.

Quem pode partir sem despedidas, sem desejos de reencontro?

Quando eu me lembro de você...
Seus olhos.
Lembro-me do riso sereno.
Das gargalhadas impagáveis.
Lembro-me do seu corpo em movimento.

Eu nunca refiro isso na rua - esse sentimento de exílio em mim...
Dessa saudade massacrante.
E os ventos são minha oportunidade de falar contigo, eles levam minhas palavras e trilhas desse amor.
Possa esse chegar por alguma via.
No seu reino de nossa harmonia...

(Neusa – Roberto Fernandes)


domingo, 2 de dezembro de 2012

MINHA CASA...

                                                                "Cortina Vermelha" - foto de Roberto Fernandes







Minha casa guarda segredos de muitas vidas que lá viveram.
Pelos cantos deixaram suas lembranças: um risco na parede, uma mancha na pintura branca, objetos ínfimos sem nenhuma utilidade, sonhos desembrulhados.
Minha casa respira ofegante, me fala de uma vida inteira e muitas outras metades.
A tudo dou ouvidos, a tudo dou o meu nome.
Mas, o que procuro, não acho nela. Um silêncio, um amor, uma quimera.
Escrevo poemas, então, como quem esquece ou tenta.
Faço mapas de um encontro. Ouço risadas vindas das janelas...

(“Casa” – Roberto Fernandes) 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

PRIMAVERA

                                                                          "Primavera" - Roberto Fernandes (web-art)







Olhei a manhã pela janela
E vi o meu olho acordando no silêncio do olho dela
Saí num sorriso branco
Assoviando atrás da cidade
Veracidade
Com as mãos nos bolsos
Ver a cidade
E correr perigo no coração
Nos tantos caminhos tontos
Que levam
Nossos dias
Nossas veras
Nossas primaveras
Prá dentro da boca da vida.

(“Primavera” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Não que eu possa explicar...

                                " Folhas, vermelha luz de meio-dia"   Foto: Roberto Fernandes







Não que eu possa explicar a vida
A minha ou de outra pessoa
Ou detalhar as surpresas do mundo com palavras
Agarrado a elas
Para conversar um pouco

Não que eu possa explicar algo além do que todos já disseram
Tenho a memória fraca
Felizmente, pelo passar dos anos

Mas como sempre
Sem sentimento não se explica nada
Fico com a síntese: o que posso escrever em uma parede



No fim, as paredes são derrubadas
O vento tem um sabor então
Dos tombamentos

E tudo revolve no ar leve
Como num eterno desejo de simplificação...  (Pelo que possa explicar rapidamente)

Hesito, vento
Escrever sentimentos... Não que eu possa explicar esse abstrato da gente...
Com palavras
Agarrado a elas


(“EXPLICAR O QUÊ?” – Roberto Fernandes)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

MOTEL...

                                                                      "Motel" (Web-art) - Foto: Roberto Fernandes







Te deixo sem tempo
Sem fôlego
Desligo a televisão
Nada mais está lá fora
(Não importa o silêncio que há)

Nos olhamos mais uma vez
A fundo
E brincamos com o fim e suas parecências
Nesse quarto de motel inexplicável
De atapetado ofegante

(“Motel” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

ACORDO COM TRÊS OLHOS...

                                                                 "Vermelho" (web-art) - Foto: Roberto Fernandes







Acordo com três olhos no meio da cara.
Vejo tudo ao mesmo tempo.
De tanto olhar ligeiro nada mais vejo. Só fios de imagens.
Mais me prende ou me libera? Esses três buracos agora de olhar...
Assustado, pulo da cama. Salto sem volta - flutuo.
Não toco o chão.
Desviado por alguma leveza.
E solto uma gargalhada : um grito rebelde de vida inteira colada ao chão, um chão de autoridades...
Meu corpo.
Acordo com três olhos e a casa me parece pequena e insignificante - uma caixa de papelão.
Um segredo que não posso mais aquietar ou esconder.
Digo isso empedernido, com esses repentinos olhos.
Nada mais nesse lugar tem cheiro. Nada mais nesse lugar tem nome, ou dono. Tudo foi afastado para eu passar. Com encantos e desencantos...

(“Acordo com três olhos agora” – Roberto Fernandes )

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

GIRO

                                                                     Detalhe de pintura, foto: Roberto Fernandes







Fala demais o meu verso... Como gente que se cria na rua, gente grosseira... Passo vergonha... Palavras de inquietude explodem e pairam no vazio da sala branca, encardida pela pouca luz do mundo.
Falam demais e perdem a pose, a cada verso.
Vexames existentes entre verdades.
(Os versos nunca vão embora lá onde moro, ficam em volta de mim. Atazanam e atrapalham meus passos. Versos fazem perguntas, mil perguntas...).
Escrituras trêmulas de insônia. 
Tentativas, erros e tudo que possa chegar à imaginação.
O peso do conhecimento. As responsabilidades e os esquecimentos devidos..
Caracteres fixam o que quero dizer, e o que não digo nunca. Texto.
Um disse-me-disse infinito desse ofício.
E a caneta desaparece num labirinto de risquinhos engraçados - intermináveis, buscando concórdia.
Com a capacidade de instaurar guerras e paz.  
Cada palavra.
A unidade do verbo, o mundo das conjugações - tudo acontece enquanto medito ou escrevo.
As letras mais calmas nas horas mais difíceis.
Meus versos são escritos por necessidade de me salvar de uma loucura atroz, falo logo de começo.

(a palavra e cada verso - Roberto Fernandes) 




quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ALGUMA COISA

                                                                "Transição" (web-art) - foto: Roberto Fernandes






Alguma coisa cheia de silêncio me deixou invisível aos olhos nus
Alguma coisa de sentimento ausente
Como a guardar pesos dentro do peito
Fantasma sem jeito
Num silêncio de Adão

Alguma coisa me deixou uma vertigem de medo
Vestido de realidade
Numa toca virtual
Onde computo
Com puta dor

(Roberto Fernandes)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

DEDICO O DIA...

                                             "Água de cor" - óleo sobre eucatex - Foto:Roberto Fernandes






Dedico esse dia ao melhor de mim. Ao que é mais quieto, o que procura paz. O lugar, tanto faz. Sou de muitos lugares. Quem tem raiz é plantinha. Dedico ao dia tudo que possa ser superável. O meu amável. Aos olhares que vão em frente, a olhar sem fim. Olhos orientais, entrando todos os dias no dia-após-dia, sem cansaço. Dedico esse dia aos jardins. Nada de solenidades ou celebridades. Dedico o dia aos que estão em mim. Que são muitos. Dedico-me ao dia.


sábado, 11 de agosto de 2012

SOBRE ELA, AS PALAVRAS...

                                 "Diálogo Pictórico" - óleo e acrílica sobre tela - Foto: Roberto Fernandes








O gosto agora pelas palavras difíceis. Mil significados. Após tanto silêncio.
Palavras (as dela?) que vagam pela casa e dormem comigo.
Embora o barulho lá de fora também fale, a preferência me cabe ao que elas calam.
E podem chegar dúvidas, e alguma confusão que tragam.
O dicionário, ao lado esquerdo de minha cabeça, como um mapa, uma caixa onde se guarda as coisas.
Uma caixa cheia de palavras difíceis...
Cada gesto – repentino? - como o gesticular de uma pantera. Há em mim as marcas dela...
Incessante fuga... Querendo ir e querendo ficar... Sem parar nunca.
A boca seca ligeiro, a respiração se arrasta, o coração dispara às pressas.
O que há de oco dentro do meu corpo vira arrepios.
Sob a forma de metais modernos, que me sustentam.
Num mundo apertado por linhas, meu tato ...As minhas fugas em espaços dilaceradamente abertos.
Em meio a toda imponência de rituais qualificantes. Nos trânsitos do Cosmos.
Meus olhos agora aparentemente distraídos.
Colocados ao longe.
Meus olhares que não querem mais ficar. Que já não encontram... Olhos tirados de cena...Onde estão os olhos dela ?

Cada verso escrito sempre num começo de noite - mas cheio de luz.
Enquanto meio mundo vê telenovelas. Vida de esquecimentos... O tempo moderno das maquinações.
A dor do mundo é um lixo que não se recicla – por quê?
Nem ao menos espero a resposta.
Queria amá-la sem a companhia de demasiadas palavras, só isso.
Cada verso aqui arranha – chega e mutila.
Mutiladas, as palavras saem.
E ainda tem as outras vezes... As que não posso dizer...Como quero e sinto...

(Roberto Fernandes)

sábado, 4 de agosto de 2012

                                                                                             Foto: Roberto Fernandes









Ela se levantou... Depois de muito tempo, sem nunca ter relógios...
Seu olhar esbravejando contra o mundo – tinha também lágrimas de sentimentos intensos.
Seu sorriso luminoso em órbitas cheias de visões... Seus olhos indescritíveis.
Em frente ao espelho.
Eu a fitando, absorto - agitando asas...

(Se escondeu com sua dor. Quem não faria isso?)

Seus olhos turvos de dúvidas, como em dias de óculos escuros - talvez se lembrasse disso.
Seus olhares, como mares. Mais misterioso ainda. Eu me perdendo neles...
Um desconhecido - ali no quarto cheio de livros.
Ela rondando o quarto agora...  Espreitas e explicações...  (várias pontes sendo criadas sobre o rio, paralelas ao mar.)
No espelho, escrito em letras vermelhas: “Acredito”. Com aquele batom novo e marcante.

(Roberto Fernandes)

terça-feira, 31 de julho de 2012

MUDO, MUNDO

                                                                Detalhe de uma pintura - foto: Roberto Fernandes













O mundo aos pedaços, em minha volta, se move.
Envelheço nele. Por todas as partes.
Estranhamente, recomeço do fim.
Nada é como parece.
Enquanto muda o mundo.
Mudo, eu mudo.

(“Mudo” – Roberto Fernandes )

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Oriente

                                                                                         Foto: Roberto Fernandes















Não se iluda com quantidades.
Não se esqueça da impermanência de tudo.
Seja bendito. Seja em silêncio.
Que se vá tudo, leve.
Não prenda nada, nadinha. Solte o sol...
Há os que se acham mais velozes, mas poucos sabem da paisagem do caminho.
Há os que se acham mais belos, mas vivem batendo com a cabeça em desencantos. E o tempo se alimenta do belo.
Há os que se acham melhores, mas nunca se misturam, e perecem por não serem recicláveis.
Não precisa de sisudez. Sorria sem motivo...
Entre coisas inanimadas, sinta-se bem gente.
Não se iluda com os olhos. E nem tampouco com os olhares.
Sinta seu umbigo – é onde você deve estar.
Agora, aqui, num possível valor de tempo e espaço.

(Roberto Fernandes)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

SANTO

                                                                                             Foto: Roberto Fernandes













Santo sem reza.
Cara de mentiroso. Cara de dor.
Passando anônimo pela avenida.
Exilado de altares. No meio de buzinas.
Dormente. Só.
Circulando em malogros, promessas.
Aplaudido. Procurado. Falado. Sacrificado.
Cara doce.
Mexendo em sorrisos.
Que sofreu como um diabo.
Sublime -  silêncio zen que não cabe.
Cansaço. Caminho.
Descarado de tanto pensar.
Antes de chegar aqui.

(“Santo” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 26 de junho de 2012

Me olhe com olhos livres

                                                                                             Foto: Roberto Fernandes



















Me olhe com olhos livres.
Sorria comigo na rua.
Não se assuste com os estrondos dos motores enquanto te falo uma história de amor.
Não vamos contar os passos.
Vamos em frente.


(Roberto Fernandes)

terça-feira, 19 de junho de 2012

Amo como posso...

                                                                                                           "Diálogo Pictórico" - óleo sobre tela



















Eu amo como posso...
Falei tudo (nu da cabeça aos pés.)
Eu sei que a vida é boa, é boa...
Mas não é à toa.
E esse silêncio que me cerca às vezes me cega.

Noites mal dormidas e manhãs tão tardes - horas na frente do computador...
Como não, podia?

Espero você chegar, suspenso em horas.
Espero que coloques suas palavras... E se acenda a nossa fogueira, contando o tempo que passa.
Espero você dizer...
Como um pescador olhando para o mar. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Busca...

                                                                  "A mão que adentra" - Roberto Fernandes - grafite















Ainda busco os sonhos, por isso esse jeito engraçado.
Preciso das boas emoções – meu olhar de pedinte.
Acredito no poder de um riso, ai que saudade dela.
Ando curioso por esse mundo. Os passos são comigo pelo seu barulho divino.
Voltado para dentro compreendo o silêncio.
As fronteiras mais íntimas ainda são ignoradas, rabiscos de mapas...  Ainda cresço.
Mutante alegria e tristeza, até parece que a vida é eterna.
Minha surpresa é inteiramente humana.
Páginas e páginas se soltaram, amarelas de livros, ao longo do tempo.
Tudo ficou misturado.
As cenas da lembrança, como num filme, passam rápido.
Um mundo de fotografias governa todos os dias.
Nem todas as leis e nem todos os deuses fazem parte disso.
Resistência e sobrevivência (há a decomposição e há a ilusão, que atordoam, sempre...).
As alternativas estão sempre em meu outro lado – esse que desconheço. Que me conhece.
Ainda acredito, tenho esperança, e isso pode ser indizível diante de máquinas. Como dizer de respiração.

(“Buscas” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 29 de maio de 2012

O fruto do tempo...

                                                                       "O fruto" - pastel seco sobre papel

















Aos gregos e troianos apresento o meu cavalo de pau.
Aos socráticos, por favor, menos cicuta.
Lembro em um filme antigo, Roma ardendo em chamas. Um corre-corre desgraçado.
Grandes colunas caindo sobre cabeças apressadas.
Já tentaram queimar tanta gente em fogueiras...
E a Terra quase nunca foi redonda.
Não sou besta desde os cachos de Voltaire.
Na perdição do tempo tem sempre um inferno.

Não esqueço as mãos de Da Vinci.
As pedras de Rodin.
O impulsivo Van Gogh e as tempestades angustiantes de sua solidão.
Há um grande vazio que protege os versos. Há também as musas.
Meu coração vai fazer cem anos por causa de uma princesa com voz fina de menina.

(Tempo – Roberto Fernandes)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

                                                         "Ranhuras em círculos" (web-art) - Roberto Fernandes

















Engulo o espelho e me calo.
Tenho as dores dos que não sabem falar.
(Um céu que me abriga vai me povoando)
Não sei aonde ir com essa noite.
Num ermo, olho para os lados.
Havia um tempo em que oferecia a outra face. Era em um mundo de mentiras.
Fazia amor por entre fendas de arquitetura moderna – perdendo a ternura em cada gozo, entre os prédios inescrutáveis.
Aprendi a acomodar lágrimas pelo chão do quarto, entre outras tantas coisas.
Já morri de meu próprio medo, mas, agora, quem pode me matar?

(Um inverno – Roberto Fernandes)










sábado, 19 de maio de 2012

PELO MUNDO

                                                                                         DETALHE DE UMA PINTURA















Poder virar gota d’água
E escorrer por um íngreme qualquer do mundo
Em silêncio
Sair
Sem melancolia
Sem culpa
Remorso
Despercebido
Em direção qualquer
Escorrendo
Vontade viva
De não ser um vazio maior

Roberto Fernandes   
        

terça-feira, 15 de maio de 2012

SEMENTES

                                                                          "Sementes" (web-art) - Roberto Fernandes













Te traduzir em poemas...
E é disso que tens medo
Pois és tão grande, tão bela, que não caberás em nenhum poema
Pantera...
Caberás sim em campos abertos e mais selvagens do que em espaço entre linhas retas e paralelas
Linhas que prendem e fixam
Onde se apoiam letras e lembranças
Anjo...
Caberás apenas num céu solto e de azul eterno
Um céu livre de pintores e poetas – esses tolos com suas chatices sobre a tal arte de ser nada
Mulher bela...
Não caberás nem em vãos espelhos que torturam o tempo
Caberás talvez no meu carinho e nos beijos que cuido para te dar
Caberás livre de qualquer explicação nesse amor
Que nunca foi meu ou seu
 Mas foi você quem o colocou no meu lugar, na minha vida


(Minha namorada tem luz no nome – Roberto Fernandes)


terça-feira, 8 de maio de 2012

Um deus revolve o caos

                                                                             "Um deus revolve o caos" - Foto: Roberto Fernandes



















Meu rosto roto pelo tempo
Avesso de um oposto a mim imposto
Do que havia e não havia
Em tudo ignorado
Meu rosto

Via as distâncias que me levavam
Por linhas não desenhadas
Meu riso frouxo e largo eu seguia
Um olhar emotivo sempre foi a sua bandeira definível de rosto

Em flor de pele refiz o caminho
Tudo me enternece agora
Choro com muita facilidade – nada tenho para esconder
Aprendi a dureza dos muros
Com os saltos e pulos convivo

Em meus buracos lunares guardo lembranças distantes
São os meus abrigos nesse rosto que me sobra
Os sorrisos de amigos se parecem com uma rua
Sou de uma lua crescente, caminho sem medos


Minha voz sem cordas e rouca
Amiga de canções
Ainda fala de amor
Minha voz quer ser meu rosto agora – pode? -, como se fosse a voz de um louco...

(Com um amor de dantes - Roberto Fernandes)


domingo, 6 de maio de 2012

Sentir a magia...

                                                "Peixe" (web-art) - Foto :Roberto Fernandes









Vejo magias no dia. Nas primeiras horas, mais graciosas.  
Pegadas deixadas na areia da praia.
Pés fortes que conduziram alguns risos.
E beijos que ainda estalam à luz do sol.
O dourado luminoso que desenha o ar é colocado sobre minha cabeça.
E entra em mim um simples pensamento. Sou um com Deus.
Água do mar é gelada.
Ventos e tormentos são passageiros.
A respiração é tudo que tenho. O começo do mundo.
Flutuar no mar, junto com os peixes... As correntes marítimas trazem coisas de longe. Todo o ser no sentimento da água. Na água é possível voar.
Sinto a magia dos acontecimentos eclodindo. A comunicação entre todos os seres. Tudo explicado pelo mar, através de sua mágica divina.

(Vejo magias no dia – Roberto Fernandes)

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Algum sentido...

                                                                                                  "Flor amarela" - Foto: Roberto Fernandes

















Fico sem rumo certas horas
Nesse amor sei de quase tudo
E me agarro a esse tudo que só eu penso existir
Loucura ou candidez?
Forçado a ser forte como gente que nunca morre...
Com seu riso na memória – as horas voam
Não esqueci o perfume da rosa
Conheço os jardins
Será que é muito tarde?
Por que tudo está tão quieto?
Estou há séculos conversando com os ventos
Tenho já montanhas aqui de tanto falar
Talvez um dia algum segredo se revele por entre as coisas ditas ou não ditas

(Sem sentido certas horas – Roberto Fernandes)