sábado, 28 de abril de 2012

Me liga...

                                            "Me Liga" - técnica: óleo e acrílica sobre papel - foto:Roberto Fernandes

















Acho difícil não te conhecer mais, suas letras me falavam pelos cantos dos cadernos.
Sua escrita de doces palavras, tudo tinha um sabor tão novo!
Um frágil sentimento humano, uma nova época por segundos.
Eu fiquei aprisionado em um banco de dados uma vida inteira, desde sua partida.
Uma vida inteira. Minhas poucas palavras da boca para fora.
Tinha um país novo no mapa, eu me lembro.
Um lugar para me esconder dentro de seu coração.
Um sol jovem e vigoroso amanhecia.
Era um sonho? Aquela canção? Acordando os recantos da alma?
Esse amanhã que você escrevia... Para sempre me acompanha...

(Acho difícil – Roberto Fernandes)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

LIMITE

                                                      "Limite" - web arte    Foto: Roberto Fernandes






                                                                                             










CAOS



Jardins caóticos de pensamentos turvos
Palavras lavadas em cachaça
Pedaços de pedras e paus
A lua quebrada
A foto antiga rasgada
Essa extrema ausência que é morte
A vida que recua com o tempo...

Nenhum mistério pode ser desenhado
Penso que existo
Mas apenas pergunto confuso

(Caos – Roberto Fernandes)

domingo, 22 de abril de 2012

                                                         Detalhe de uma pintura - Foto: Roberto Fernandes















As perspectivas em movimento.
Endorfinas. Adrenalinas. Serotoninas.
Água para ferver. Cafeína há anos. Duas canecas.
Todos os sentimentos possíveis de serem escritos estendidos em frases que amadurecem sobre folhas de papel ou tela fria de computador. Muitas vezes, frases sem sentido por dias e dias, num abandono de fruteira.
 Me repito diariamente. Mas todos fazem isso há anos.
Olho, sem gosto, meu rosto.
Cada vez mais desconhecido com o passar dos anos.
Talvez por isso essa necessidade urgente, quase infantil, de mil gargalhadas diárias - se possível.
Como o ar indispensável...
Mas, a primeira risada é sempre de mim mesmo.

Risos de bom dia.
(Roberto Fernandes)

terça-feira, 17 de abril de 2012

O QUE ME DIFERENCIA

Peixe poesia - técnica mista sobre cartão

                                                                                      Foto: Roberto Fernandes







Cada verso escrito, uma pedra lançada ao ar...
E cada lembrança, mais um barco de papel empurrado ao mar das histórias.
O mar desconhecido das viagens.
Cada poema voa... Na celebração entre o tempo que passa e o vento que me encanta.
Indeléveis pensamentos me levam.
E a memória de acontecimentos traduz outra alma.
Meu lento desmonte.
Cada verso escrito é o que me diferencia.
Talvez esta a minha reta.

(Cada Verso – Roberto Fernandes)

                                        

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lucidez

                                                   "Translúcido" - Foto: Roberto Fernandes







Aos poucos fui voltando da queda.
Enquanto nada em mim se movia, escrevia com os olhos nas paredes.
Devagar fui saindo do hospital.
Deixando para trás horrores que nunca se escrevem.
Nas imediações de tudo o que me foi negado eu plantava flores.
Furacões passavam na televisão - meus dias em frente a uma tela fria se consumiam devagar.
Como os primeiros passos, um arrastar de dores que ninguém via.
Eu era invisível então.
Tinha pouca força. Nem tampouco podia chorar.
Os vendavais batiam na janela, eu dormia por meses.
Devagar morri mais de cem vezes.
Aprendi a sangrar. Aprendi a ver anjos.
As marés sabem mais de mim do que a minha própria sina.
Ao primeiro olhar de amor, depois de ter visto o inferno, ergueu-se dentro de mim algo inominável - que nunca mais quero perder.
Peço a todos que me evitem suas desgraças. Não há nada que não saiba...
Mas ainda sei sorrir do mesmo jeito que antes.
Essa, a minha vitória.
(Aos poucos voltei da queda – Roberto Fernandes)

terça-feira, 10 de abril de 2012

Enquanto tudo roda...

                                                                            web arte - foto: Roberto Fernandes








Eu saio de mim para nunca mais voltar
Saio procurando rudimentos
Procurando explicações
Saio sem coração
Deixo as palavras pela casa
Desarrumado o silêncio
Pelo avesso a vida
No amargor de versos
Saio sem despedidas
Com os meus fantasmas
Saio


(Saio de mim para nunca mais voltar - Roberto Fernandes)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Um jardim na vida de cada um

                                                                   "Verde folha" - Foto: Roberto Fernandes







Antigamente tinha um jardim para cuidar.
Todas as tardes.
Um grande jardim circular e colorido.
Flores diversas.
Aromas indizíveis brotavam de sua terra molhada.
Me acompanha há anos.
Um refúgio em minha memória.
A melhor parte do planeta sempre esteve ali.
A delicadeza das vozes nas conversas.
Naquele recanto separado da rotina do mundo...
Naquele jardim em uma casa de vila.
Eu pouco falava diante dos excessos da Natureza.
Tudo era, então, palpável.
Cuidava de cada planta com zelo, sem pressa.
Olhos investigativos.
Naqueles encontros intermitentes entre os meus dias perdidos.
Minhas poucas ferramentas de jardinagem... (na realidade uma colher e uma faca tiradas da cozinha por não terem mais uso).
Procurava a unidade.
Era um menino, e o jardim sempre estava lá.
Como um jardineiro paciencioso vivia.
Horas e horas, soltas do calendário.
Um trabalho divino.
Lá aconteciam milagres, sem solenidades.

(Um jardim – Roberto Fernandes)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Janela Colonial

                                                   "O Caminho de Oxossi" - Foto: Roberto Fernandes










Ouvindo Bob Marley
Vejo a menina e o mar pela janela
As cortinas azuis adoram o vento
Azuis esvoaçantes
A água do mar faz uma linha
Costura o céu no horizonte
A tarde nunca mais vai cair
Os barcos balançam infinitos
Ali deitados os olhos da menina
Confio segredos às frestas do telhado colonial
Nem tudo digo à luz de palavras
A menina exala seu perfume tranquilo
Em seus cabelos ao vento está tudo que podíamos ser
O outro lado da janela é um mar em vazante
Inabitual
(“Janela Colonial” – Roberto Fernandes)