terça-feira, 31 de julho de 2012

MUDO, MUNDO

                                                                Detalhe de uma pintura - foto: Roberto Fernandes













O mundo aos pedaços, em minha volta, se move.
Envelheço nele. Por todas as partes.
Estranhamente, recomeço do fim.
Nada é como parece.
Enquanto muda o mundo.
Mudo, eu mudo.

(“Mudo” – Roberto Fernandes )

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Oriente

                                                                                         Foto: Roberto Fernandes















Não se iluda com quantidades.
Não se esqueça da impermanência de tudo.
Seja bendito. Seja em silêncio.
Que se vá tudo, leve.
Não prenda nada, nadinha. Solte o sol...
Há os que se acham mais velozes, mas poucos sabem da paisagem do caminho.
Há os que se acham mais belos, mas vivem batendo com a cabeça em desencantos. E o tempo se alimenta do belo.
Há os que se acham melhores, mas nunca se misturam, e perecem por não serem recicláveis.
Não precisa de sisudez. Sorria sem motivo...
Entre coisas inanimadas, sinta-se bem gente.
Não se iluda com os olhos. E nem tampouco com os olhares.
Sinta seu umbigo – é onde você deve estar.
Agora, aqui, num possível valor de tempo e espaço.

(Roberto Fernandes)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

SANTO

                                                                                             Foto: Roberto Fernandes













Santo sem reza.
Cara de mentiroso. Cara de dor.
Passando anônimo pela avenida.
Exilado de altares. No meio de buzinas.
Dormente. Só.
Circulando em malogros, promessas.
Aplaudido. Procurado. Falado. Sacrificado.
Cara doce.
Mexendo em sorrisos.
Que sofreu como um diabo.
Sublime -  silêncio zen que não cabe.
Cansaço. Caminho.
Descarado de tanto pensar.
Antes de chegar aqui.

(“Santo” – Roberto Fernandes)