Por você...
Entre os que me assemelham, és como um espelho... Impero...
Pelo tempo que couber... Mesmo que sejamos separados pelas paredes de vidro insólito dessas catedrais. Não percamos o riso que faz passar o tempo.
Um rio raro, em desuso...
O transpor do tempo é aos supetões, aos segundos, num vasto fluir entre escárnios.
Por mim... Que reescrevo o silêncio. Mas também à vontade. Com intuito de gritar como um macaco. Pular.
Indelicado, como um rabisco de diamante em vidro achado em uma rua que passa por trás de uma fábrica falida e com dívidas de vidas.
Os buracos nas paredes são por onde a luz entra...
(Um buraco cósmico ronda a noite)
Quando começo a me entender como gente, perco-me.
Quando começo a reconhecer meu rosto me faltam as palavras mais claras para explicar tantos começos.
Tudo do mundo se balança.
Tenho titânios pelo corpo.
Por que não por nós, o motivo?
POR QUÊ?
Pelo sim, por causa de todo sim... Das mexidas que dão os sons... Os sinos.
Nós, opostos agora em equilíbrio de luz de prata - e a lua tatuada que tenho no peito.
Será isso o que fascina?
Ou será a rapidez felina de nossos olhos?
A procura por sensatez... Por você em mim, como sempre deveria ter sido...
( “Por Você” - Roberto Fernandes )
"DEITADO NA GRAMA, OLHANDO O PÔR-DO-SOL."
(técnica: óleo sobre tela)
Foto: Roberto Fernandes
... As luzes acesas em um resto de dia, a noite lentamente.
A lua sai desabalada pela avenida, em silêncio de séculos...
(Roberto Fernandes)