quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"CARANGUEJO" (ACRÍLICA SOBRE CARTÃO)

                                                              FOTO: ROBERTO FERNANDES 








POR ENQUANTO



Enquanto naves costuram o espaço sideral,
enquanto palavras entopem as narinas dos doutores
e a ciência se confunde entre a poça e o oceano,
chamando urubu de meu louro,
eu fico quietinho,
no escurinho lavanda do banheiro,
acariciando tempestades.
Enquanto mais uma bomba mata,
enquanto milhões entram na lata,
falo com meus derradeiros trovões.
Juro.
Alumio como posso, e como não posso, esse troço, essa troça, essa vida.
(Roberto Fernandes)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SOBRE TUDO E NADA AO MESMO TEMPO

É preciso cautela, e não se esquecer de si mesmo. Atenção e desvelo...
Cultivar a paciência com intenções infinitas no sentimento do bem.
E também a quietude e a displicência, ao se deixar levar pelos pensamentos mais tormentosos.
Maturidade: caminhar pelas calçadas pensando no mundo... (suas reações e omissões em cadeia).
No calor de nossas casas fechadas, o excesso de notícias negativas, vindas de onde não temos nada a ver com isso.
Um artigo no jornal querendo ser de suma importância, enquanto logo ali em frente um cachorro faz cocô na calçada.
Rosnar na hora certa é de suma sabedoria. Sonhos podem ser coloridos...
Minha covardia: escondo mil coisas bem longe das calçadas... E muitas vezes o mundo não passa de um cocô sem chão embaixo.

“Sobre tudo e nada ao mesmo tempo”
Roberto Fernandes






sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POR VOCÊ

Por você...
Entre os que me assemelham, és como um espelho... Impero...
Pelo tempo que couber... Mesmo que sejamos separados pelas paredes de vidro insólito dessas catedrais. Não percamos o riso que faz passar o tempo.
Um rio raro, em desuso...  
O transpor do tempo é aos supetões, aos segundos, num vasto fluir entre escárnios.
Por mim... Que reescrevo o silêncio. Mas também à vontade. Com intuito de gritar como um macaco. Pular.
Indelicado, como um rabisco de diamante em vidro achado em uma rua que passa por trás de uma fábrica falida e com dívidas de vidas.
Os buracos nas paredes são por onde a luz entra...
(Um buraco cósmico ronda a noite)
Quando começo a me entender como gente, perco-me.
Quando começo a reconhecer meu rosto me faltam as palavras mais claras para explicar tantos começos.
Tudo do mundo se balança.
Tenho titânios pelo corpo.
Por que não por nós, o motivo?
POR QUÊ?
Pelo sim, por causa de todo sim... Das mexidas que dão os sons... Os sinos.
Nós, opostos agora em equilíbrio de luz de prata - e a lua tatuada que tenho no peito.
Será isso o que fascina?
Ou será a rapidez felina de nossos olhos?
A procura por sensatez... Por você em mim, como sempre deveria ter sido...

( “Por Você” - Roberto Fernandes )



"DEITADO NA GRAMA, OLHANDO O PÔR-DO-SOL."
(técnica: óleo sobre tela)

                                                                        Foto: Roberto Fernandes




... As luzes acesas em um resto de dia, a noite lentamente.
A lua sai desabalada pela avenida, em silêncio de séculos...
(Roberto Fernandes)


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SOBRE SONHOS

                                                                           Foto: Roberto Fernandes





Sonhos estão no ar. Crie asas para os tocar.
Não são capturados como borboletas - sonhos nunca são presos para se mostrar.
Eles vivem no irreal, até que façam parte de seu coração ou cabeça.
De sonhos se fazem muitas vidas imortais. Mas sonhos também se despedaçam, atenção.
Desaparecem um dia. E, nesse dia, para sempre o mundo fica cinza, esquálido. Nada mais tem gosto e fica um sentimento estranho no lugar da alma.
Quando tudo está por um triz é melhor sonhar. Sonhos acordam vontades esquecidas ou mortas.
Deixam mensagens. Levam as contas. Libertam, no final.
Sonhos são o contrário de devaneios. Não se dissipam com a dor e nem com analgésicos.
Sonhos devem despertar luz interior - se não, não é sonho, é um pesadelo.
Um desejo benéfico embala cada sonho. Tem seu propósito no possível.
Sonhos, todos podem ter. Moram em qualquer lugar. Não escolhem casa.
Incansáveis, brotam aqui, ali. E até longe, ou onde nunca poderemos estar. Percorrem rapidamente distâncias. Só quem sonha pode disso falar.
Sonhos existem. É só tentar com afinco. Na fricção de pensamentos. Na fuga de um lamento.
Não são nenhuma criação de outro mundo - nada há para se assustar. E nem adianta eles tentar decifrar.
Não se pode parar no tempo. Sonhe e não pare de sonhar. Como se fosse uma chama, cada sonho vai te velar.
Sonhos moldam sentimentos. Mas deles não adianta falar - pois de sentimentos poucos entendem.
Por isso, muito se deve sonhar.

(“Sobre Sonhos” – Roberto Fernandes)




"A SOBRANCELHA ENGRAÇADA DO MENINO BUDHA"
(técnica: óleo sobre cartão)
                                                              Foto: Roberto Fernandes







domingo, 12 de fevereiro de 2012

"A Folha" (escultura - fundição em concreto)

                                                                                   Foto: Claudia Dias








"Ella" (óleo sobre tela)





                                                               Foto: Roberto Fernandes










... Posso todo sentimento amoroso
Um beijo gostoso
Posso achar tudo normal
Até aquela má notícia no jornal...
(Roberto Fernandes)
                                                         




















sábado, 11 de fevereiro de 2012

"SEU DOUGLAS OUVIA O ESPÍRITO SANTO E CONVERSAVA COM ETs"


Técnica: óleo sobre tela e eucatex


                                                                          Foto: Roberto Fernandes               
                                                                                








"CHAMEM UM DENTISTA!" (Técnica mista sobre tela)

                                                             Foto: Roberto Fernandes





Manhã sonolenta.  Faço que nem escuto. Fico deitado. Mudo como um defunto - nem com um serafim puxando pelos braços quero me levantar.
Desenhos e escritos por todo o chão da casa... Casa Caiada num Jardim Atlântico ?
 Andando como um sonâmbulo entre pilhas de papel e cor.
Atônito bom dia... Enfim! Salvo de uma sonolência grega de travesseiros e sereias. Num sono oceânico de quase morte boa.
O perfume dela ainda preso ao pano da cama.  Canções bonitas, imagens voláteis, livres volúpias.
As vontades todas, as mais sacanas. Tudo Maia.
(Cruz credo!)
 Estou precisando  nadar...


Roberto Fernandes(Manhã sonolenta)



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"GRÁVIDA" (escultura em pedra calcárea)


                                              




             Foto:Roberto Fernandes






                                     Foto:Roberto Fernandes
  




                                   




terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


                                                                   Foto: Roberto Fernandes

" A Geometria do Encontro" (técnica mista sobre cartão)



ENCONTROS OBEDECEM A UMA GEOMETRIA DIVINA. SÃO COMEÇOS OU FINAIS. ESTÃO INTERLIGADOS POR FORÇA CÁRMICA OU POESIA. ENCONTROS ACONTECEM TODOS OS DIAS.

SÁBADO INSOSSO

Um sábado insosso. Quando os dias são assim é bom fazer tudo de um modo diferente - creio. Outra ordem em tudo e com outros pensamentos. A cabeça em algum mundo, enquanto o corpo neste, a fazer algo. E ponderemos, não é nada muito diferente.
Um ignorar de espelhos, são esses dias assim. Pedras no sapato, esse arrastar do tempo em tédio. Não passa.
Péssimo dia para ficar na cozinha, dias assim comida fica sem gosto. Come-se qualquer bobagem e canta-se uma animada canção – mesmo não se lembrando bem da letra.  Em dias assim tudo se inventa.
Fuçar o computador com calma, mesmo tendo taquicardia. Descobrir novas janelas luminosas no mundinho virtual e buliçoso que erra pelo Universo. Abrir as gavetas da Internet!
Nada é tão secreto agora.  Os sete véus estão no chão.
Todo olhar deve se demorar na tela absoluta e leitosa de um computador, agora. Nada mais nos pertence.
Dias assim toda a chatice do mundo me quer para Judas - mas sou um palhaço com palavras coloridas.
Nesse imenso vazio de enfado, uma só perdição.
Sábado insosso. Há um grito parado no ar, mas acho que ninguém viu ou ouviu. Ninguém quer ser testemunha.

(SÁBADO INSOSSO) - Roberto Fernandes 




A Iemanjá de Rio Doce.

No limite Norte da cidade de Olinda, na foz de um rio que começa pequeno, na divisa com o município do Paulista, a escultura de Iemanjá.

                                                              FOTO: ROBERTO FERNANDES




                                                      FOTO: ROBERTO FERNANDES




A escultura segue a tradição da arte escultórica egípcia - as esculturas pintadas.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

"ALGUÉM" - TÉCNICA MISTA SOBRE PAPEL

                                                                          FOTO: ROBERTO FERNANDES