sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

POR VOCÊ

Por você...
Entre os que me assemelham, és como um espelho... Impero...
Pelo tempo que couber... Mesmo que sejamos separados pelas paredes de vidro insólito dessas catedrais. Não percamos o riso que faz passar o tempo.
Um rio raro, em desuso...  
O transpor do tempo é aos supetões, aos segundos, num vasto fluir entre escárnios.
Por mim... Que reescrevo o silêncio. Mas também à vontade. Com intuito de gritar como um macaco. Pular.
Indelicado, como um rabisco de diamante em vidro achado em uma rua que passa por trás de uma fábrica falida e com dívidas de vidas.
Os buracos nas paredes são por onde a luz entra...
(Um buraco cósmico ronda a noite)
Quando começo a me entender como gente, perco-me.
Quando começo a reconhecer meu rosto me faltam as palavras mais claras para explicar tantos começos.
Tudo do mundo se balança.
Tenho titânios pelo corpo.
Por que não por nós, o motivo?
POR QUÊ?
Pelo sim, por causa de todo sim... Das mexidas que dão os sons... Os sinos.
Nós, opostos agora em equilíbrio de luz de prata - e a lua tatuada que tenho no peito.
Será isso o que fascina?
Ou será a rapidez felina de nossos olhos?
A procura por sensatez... Por você em mim, como sempre deveria ter sido...

( “Por Você” - Roberto Fernandes )



"DEITADO NA GRAMA, OLHANDO O PÔR-DO-SOL."
(técnica: óleo sobre tela)

                                                                        Foto: Roberto Fernandes




... As luzes acesas em um resto de dia, a noite lentamente.
A lua sai desabalada pela avenida, em silêncio de séculos...
(Roberto Fernandes)


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