Tudo cajá. Até a chuva que combina cair tem cheiro
de cajá. Por isso coloco esse sorriso na praia da boca urgente do temporal.
Arrumei o quarto cheio de coisas que você deixou.
Minhas margens no tempo. Ascendência de tudo que quis.
As poesias, os desenhos, as distâncias, os olhos
brilhantes, a demora... A eterna demora...
A noite dentro da chuva e do vento, depois do bolor
do entardecer.
Até o coração é cajá. E cajá são seus beijos. As
histórias de nossos risos e seus destinos improváveis.
Cada superação...
Tudo é cajá e o cheiro que sai do chão acalma.
(“Tudo Cajá” – Roberto Fernandes)