A penumbra.
Tranquila massa escura na sala.
Suave.
Passos silenciosos.
Atravesso-a.
A penumbra é sonora.
Da janela miro a lua longe e de prata antiga.
A lua sempre foi minha amiga.
Suas crateras.
Converso com elas.
Enquanto baila sobre copas de árvores que não sei o nome.
Lunar se espalha a linguagem.
Multiplica olhares nas
folhas.
A brisa conduz a noite.
Ocupa a sala.
Os móveis divididos pelo
lume.
Todo olhar é sem cálculo.
O inevitável da noite.
Deslocamento de emoções pelo
corpo.
O pensar incontido, a falta
de fome.
Toda cor agora espera.
A janela.
A sala parece cantarolar algo
(ou serão os quadros que sussurram?).
Penumbra.
Massa macia.
(“Atravesso a penumbra” –
Roberto Fernandes)