terça-feira, 26 de março de 2013

LÁ EM CIMA A LUA...

                                                                                 "A lua" - foto: Roberto Fernandes






Vagueio pelas ruas
Lá em cima a lua vagueia também
A cada passo me adentro
(Meu coração se afasta das ruas)
Vou sumindo na noite

As estrelas prendem o céu lá em cima
Aqui tudo se desprende
Nessa sua ausência que é minha foz

Vagueio entre a alucinação e a poesia
Cansado me assento no frio cimento
Sem fim nem começo
Os ecos da cidade grudados em um muro
Onde escrevo a palavra esperança.

(“Sem fim nem começo” – Roberto Fernandes)

segunda-feira, 25 de março de 2013

AINDA HÁ CAMINHO...

                                                      
                                                                    "Kabrum" - Roberto Fernandes





O estrondoso desabamento.
Susto imenso.
Um tempo difícil de passar.
O mundo era um quarto em uma TV ligada.
A dor e as possibilidades.

Colocar o corpo a caminho.
Solidão era conversar sozinho.
Sorrisos que não vinham.

Havia rugas no rosto.
Rugas do sentir intenso.
A penumbra de todos os dias.
Pode pesar toneladas – acreditem.

Sorria humildemente diante do imprevisto.
Uma queda. A maior de todas na vida.
Ilusões e maldades.
Ali em frente. 
Sonhar é importante.

As coisas impostas pelo cotidiano.
Decepções e as discrições que as horas pediam.
Um inferno particular.

Alguns trovões sobraram na garganta.
Para que servem os temporais, justo agora?
Lá dentro de mim uma fogueira acesa.
Uma luz, afinal.

Palavras desconfortáveis, algo tem que ser dito.
Meu Deus, o mundo não é um dicionário!


(Roberto Fernandes)


sexta-feira, 22 de março de 2013

FOLHAGENS

                                                  "Folhagem em Vermelho" (digital art) - Roberto Fernandes








Folhagens. Cores.
No caminho por onde vou.
Distraídas folhagens.
Displicentes. Necessárias.

Meus passos, então, cantam.
Como sempre cantaram.
No caminho por onde vou.
Movimento e vida.

(“Folhagens” – Roberto Fernandes)

sábado, 16 de março de 2013

DESATAR...

                                                                "FOLHAGEM" -  DIGITAL ART - ROBERTO FERNANDES








Desatar o nó dos sentimentos.
Passar de um segundo a outro, simplesmente.

Desatar o nó dos sentidos.
Presente, aqui.

Aprender a morrer com o tempo.
Desatada, a vida...Mais que o imaginado...


(“Desatar” – Roberto Fernandes)

quarta-feira, 13 de março de 2013

VONTADE...

                                                                                                   "Fruto" - digital art - Roberto Fernandes












Vontade de parar o tempo.
Se o tempo de parar fosse...
E, em tudo pensar um pouco – feituras e omissões.

Vontade de rir com graça.
Mesmo com toda esta desgraça.
 Até lhe acordar, enfim.

Vontade de entender de amor.
Uma fonte d’água depois é um rio.

Entender com os erros.
O que as falhas na parede do cotidiano revelam?
E qual a pergunta certa?


(“Por você e por mim” – Roberto Fernandes)


terça-feira, 12 de março de 2013

ESSES DIAS, COMO UM TOLO...

                                               Detalhe da pintura "Encontro Furtivo" - Roberto Fernandes









Ando com a cabeça nas nuvens, esses dias.
Caminhando a esmo, olhar vesgo.
Avançando com esforço de um cego, esses dias...

Os passos meticulosamente calculados nas calçadas cheias de buracos. Mas há pássaros.
Guiados por que ventos, os sabiás?

Sou como um ser degolado, nesses dias.
Minha pressa só aumenta as impossibilidades.

Taquicardia, fotofobia, azia, disenteria... (Não gosto de sentir isto)
Só pelo sentimento de utilidade agita-se o mundo.
O oco deve ser ocupado.
Grito de dentro de um espelho. Grito e sorrio.
Vou pintando as pitangas...

Um sentimento de culpa - o mundo.
A luz entra pela janela. Os espelhos ficam adormecidos, então, não me diga nada.
Não me deixe vivo entre seus dentes, onde estão as minhas mordidinhas?

As besteiras que penso... - um pouco de bom-senso disfarçaria esse sentimento de desamparo...
Foi lá no Largo do Amparo, que ironia, que eu fui cuidar de te amar.
Como cheira a pitanga...

Caminho. Procurando vestígios...
Meu reflexo em tudo que lembro.

Como um tolo tenho vivido.
Esses dias desajeitados.
Cheio de enganos, orgulhos feridos.

Cheio de importâncias passageiras, poeiras.
Carbono pesando no ar.
Fomes insaciáveis pelo mundo.

Como um tolo tenho vivido...Esses dias...

Sem nenhum tato com a sabedoria.
Mascando feridas.


(“PEQUENA CONFISSÃO DE UM TOLO” – Roberto Fernandes)

sábado, 9 de março de 2013

AQUIETADO PELO SILÊNCIO...

                                                                                            "Peixe" - Roberto Fernandes











Muitos vagam.
Mais ainda falam sozinhos.
Sem qualquer remédio, as desconexões abruptas.
A convivência com a pressa esgotando a paciência.


Encaixotando, deletando - parte de uma vida se vai.
A solidão é um quadro abstrato, como a janela de um metrô, essas linhas vagas ou onde estou.
Escreva em todo lugar possível – com a paixão de um grafiteiro.
Nada prenda sem razão.

Aquietado pelo silêncio, veja.



(Roberto Fernandes) 













quinta-feira, 7 de março de 2013

ANJO...

                                                           "Peixe em vermelho" - digital art - Roberto Fernandes












A voz de um anjo ao telefone
Nessa madrugada
Um anjo imerso em risadas
Com delicadeza, o anjo me diz que era um fantasma, antes de virar um anjo
Há anos sou seguido por anjos...Achava que eram fantasmas...

(“Anjo” – Roberto Fernandes) 


terça-feira, 5 de março de 2013

MAR E AMAR

                                                                                    Foto: Roberto Fernandes










Vejo magias no dia.
Deixadas na areia da praia.

O dourado luminoso do sol entra em mim através de um simples pensamento positivo.
A água do mar: minhas respirações profundas.
Todo o meu ser no sentimento da água.

Todas as minhas possibilidades.
O necessário que levo comigo.

Tudo, de repente, explicado pelo mar.


( “Nadar no mar” – Roberto Fernandes)

sábado, 2 de março de 2013

ESTA MANHÃ

                                "A menina e a noite num vento" - fundição em concreto- Roberto Fernandes










A cidade esta manhã me enche de fome
Eu me encho de café
E de rostos, de ruas, de risos

A cidade esta manhã
Tem um sol secular
Inesquecível

Leio nas bancas de jornais
Com o rabo de olho
O futuro, o furo

Gosto de balas de hortelã, esta manhã
Gosto de te olhar em silêncio
Encho de sim este dia


“Esta manhã” – Roberto Fernandes