terça-feira, 28 de maio de 2013

FOI DENTRO DE MIM...

                                                 "Linhas do olho de peixe" - Digital art - Roberto Fernandes







Lá dentro de mim, foi lá, sim.
Nesse infinito portátil que arrasto de lá para cá no mundo.
 
Não me pergunte nada agora.
É tenro ainda. Macio, delicado, indefinido.
Pouco sei desse sentimento que me discorre.
Procurando o lugar certo e a luz perdida.


Minha vida e seus desenganos...
Seu endereço, meu lenço de papel sempre no bolso, o sol e seu contrário.
O imaginário das pessoas.
E um eterno arranhão na lente dos óculos.


Meus amigos, meu amor.
Nunca fui de esconder carinho.
Sempre acreditei na sorte, e seguro firme no guidom quando Deus pedala.


Deságuo no oceano isso que não sei e sinto.
Como um rio de risos e gestos diferentes.
Densamente, como se faz quando de amor perdido.

Sentir são os dois lados do caminho.


(“Foi dentro de mim” - Roberto Fernandes)


quarta-feira, 22 de maio de 2013

SENDO ASSIM

                                                        "Transluz" - digital art - Roberto Fernandes






Em dias assim passa por mim uma interminável fila de insones.
Gente que nem sei se conheço.
Aonde vão esses fantasmas sacudidos pelos espelhos da memória?

Em dias assim estanco em meu texto.
Um grande deserto.
Sentado em minha cadeira de detalhes.
Aturdido pela mixórdia de insolúveis pensamentos.

Em dias assim estou perdido para sempre...

Desando a bradar palavrões.
Os safanões que tenho para o mundo.
Insuficiente.
Fixado nas abstratas vigas do tempo.

Tempo que mede as coisas.
Tempo para cabermos dentro delas.
Cada vez menor.
Cada vez mais rápido.

E vozes rachadas ouço dentro do corpo.
No fundo da carne outras vozes que não são minhas.
Vivi a vida de muitos...
Quanta gente se matou em mim?


(“Sendo assim” – Roberto Fernandes)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O SILÊNCIO...

                                                                       "A luz do abajur" - Foto: Roberto Fernandes






Não foi tempo perdido
Vínhamos pelo mundo extraviados
Medonhos
Sem grandes esperanças ou carinhos

Foi encantamento
Como no primeiro olhar  
Foi o que pudemos obter de melhor
O que fizemos de nosso pesar
Os mortos que dissecamos
Os risos postos em nossos olhos

Carrego esse sentimento sem nome agora
Nas madrugadas pétreas
Na imensa mudez que devora a luz

Suporto seu peso
Onde havia só o desejo de andar e ser feliz pelo mundo
Onde havia muitos nomes ingênuos
Milhares de frases escritas
E as alegrias que eu marcava no calendário

Nossa babel
Nossa incendiária confusão
Tudo como um saco de lixo jogado no vazio
Pela raiva que ficou dilacerante
As feridas no desespero da perda

O silêncio colocado num canto
Como abajur de luz carinhosa
Esperança

Como era antes de você chegar...


(“Silêncio” – Roberto Fernandes)