Não foi tempo perdido
Vínhamos pelo mundo extraviados
Medonhos
Sem grandes esperanças ou carinhos
Foi encantamento
Como no primeiro olhar
Foi o que pudemos obter de melhor
O que fizemos de nosso pesar
Os mortos que dissecamos
Os risos postos em nossos olhos
Carrego esse sentimento sem nome agora
Nas madrugadas pétreas
Na imensa mudez que devora a luz
Suporto seu peso
Onde havia só o desejo de andar e ser feliz pelo mundo
Onde havia muitos nomes ingênuos
Milhares de frases escritas
E as alegrias que eu marcava no calendário
Nossa babel
Nossa incendiária confusão
Tudo como um saco de lixo jogado no vazio
Pela raiva que ficou dilacerante
As feridas no desespero da perda
O silêncio colocado num canto
Como abajur de luz carinhosa
Esperança
Como era antes de você chegar...
(“Silêncio” – Roberto Fernandes)
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