segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CARNE DESPERTA...

                                                                        "LARANJA E LIMÃO" - FOTO: ROBERTO FERNANDES










A CARNE DESPERTA.
O GRITO DOS OSSOS!

(O VISTO,
O QUE SE SABE,
O QUE NÃO SERÁ FALADO)

COMO QUERIAM,
O SILÊNCIO DOS OLHOS.

PECADO...
O DESMORONAMENTO DESMEDIDO DO MUNDO.
SUPLÍCIO DIÁRIO SILENCIADO.
SONÂMBULA DESTRUIÇÃO DESABUSADA.

ENTRE SONHOS SEDADOS, PASSOS DESABALADOS.
IMÓVEIS PRODUTOS,
DESEJOS E CONTENTAMENTOS.
MAS NUNCA SE COMPRA NENHUM PRAZER EM NENHUM LUGAR.

(“A CARNE DESPERTA” – ROBERTO FERNANDES)




terça-feira, 24 de setembro de 2013

LUA

                                                                                                                    "Lua" - Foto: Roberto Fernandes 






A penumbra.
Tranquila massa escura na sala.
Suave.

Passos silenciosos.
Atravesso-a.
A penumbra é sonora.

Da janela miro a lua longe e de prata antiga.
A lua sempre foi minha amiga.
Suas crateras.
Converso com elas.

Enquanto baila sobre copas de árvores que não sei o nome.
Lunar se espalha a linguagem.
Multiplica olhares nas folhas.

A brisa conduz a noite.
Ocupa a sala.
Os móveis divididos pelo lume.
Todo olhar é sem cálculo.

O inevitável da noite.
Deslocamento de emoções pelo corpo.
O pensar incontido, a falta de fome.

Toda cor agora espera.
A janela.
A sala parece cantarolar algo (ou serão os quadros que sussurram?).
Penumbra.
Massa macia.

(“Atravesso a penumbra” – Roberto Fernandes)




terça-feira, 10 de setembro de 2013

OS SINAIS

                                                        "Sobre o nascimento das luas" - Digital Art - Roberto Fernandes







Transforma-se a fundura das horas impossíveis.
Sob a luz de desejos e sonhos há a vida.
Olhos plantados no futuro.
Os dias angelinos são os mais áridos.
Mas já estão escritos os sinais na ardência dos prédios.


(“Os sinais” – Roberto Fernandes)

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

NÃO IMPORTA

                                                                                               "Caminho" - digital art - Roberto Fernandes








SEGUIR
NÃO IMPORTA O QUE PENSO
DE MIM VIVO E MORRO

O QUE VOCÊ PENSA NÃO INTERESSA
QUE POSSA DIZER MINHA BOCA
O QUE PENSO E O QUE POSSO

SEGUIR EM FRENTE
DO JEITO QUE É
OLHAR EM VOLTA

VEJO E NÃO VEJO
NADA NUNCA PERFEITO

SER ESTE MUNDO
OUTRA VEZ
DO CENTRO DE MIM SEGUIR

DISSOLVER OBSTRUÇÕES
INTEIRO
DISPOSTO.





(“NÃO IMPORTA” – ROBERTO FERNANDES)

domingo, 18 de agosto de 2013

TUDO É CAJÁ...

                                                                       "AFLORAR" - DIGITAL-ART - ROBERTO FERNANDES








Tudo cajá. Até a chuva que combina cair tem cheiro de cajá. Por isso coloco esse sorriso na praia da boca urgente do temporal.
Arrumei o quarto cheio de coisas que você deixou. Minhas margens no tempo. Ascendência de tudo que quis.
As poesias, os desenhos, as distâncias, os olhos brilhantes, a demora... A eterna demora...
A noite dentro da chuva e do vento, depois do bolor do entardecer.
Até o coração é cajá. E cajá são seus beijos. As histórias de nossos risos e seus destinos improváveis.
Cada superação...
Tudo é cajá e o cheiro que sai do chão acalma.

(“Tudo Cajá” – Roberto Fernandes)


quarta-feira, 31 de julho de 2013

AZUL

                                                 "Azul" - Técnica mista sobre tela - Roberto Fernandes





Ele, com seu pijama cheio de manchas diárias, enterra a cabeça dentro da televisão.
Se esconde letárgico, ausente, risonho. Num enredo de esquecimento. Num desfile de produtos.


Ele, que se desprendeu da vida. (Que vida!)
Com seus grandes pés incansáveis e cheios de fé. Acima do solo.
Naquelas sandálias azuis de atravessar desertos azuis.

Ali, naquela colorida ilha de impulsos elétricos.
Como a conceber alguma cura. Ou esperando alguma resposta de sua mente vazia, despreocupada...


(“Sobre ele e suas sandálias azuis” – Roberto Fernandes)

sábado, 20 de julho de 2013

EM DIAS ASSIM...

                                                             "Relógios Nada Podem" - Foto: Roberto Fernandes








Dias em que os relógios nada podem. Dias cheios de cafeína. Prematuros, quando a luz é ainda ausência sobre o dicionário.
Dias que parecem infinitos – pela possibilidade de serem escritos.
Em dias assim passa em algum lugar uma fila de insones... Para onde vão?
Aonde vamos?
(O olhar solitário solta-se no vazio, como a caçar símbolos que deixem palavras como vestígios, como de costume. Um vício sem respostas).
O vazio nunca revela nada, é esse o pacto com o inventivo. O princípio do sábio. No vazio por onde a vida anda, esse vazio da gente vai...


(“Dias em que os relógios nada podem” – Roberto Fernandes)



terça-feira, 9 de julho de 2013

QUE POSSA VIRAR POESIA...

                                                                             "Noite de Chuva" - foto: Roberto Fernandes







Tenho uma tarde nublada desaparecendo entre os ponteiros do relógio. E escrevo coisas que possam virar poesia de uma hora para outra.
A tarde que tenho é encantada por uma chuva.  No chão sonoro repouso os olhos cansados.
Um guarda chuva vermelho vai por lugares desconhecidos.  Isso me parece poético e real.
Enquanto se move o mundo, se essa chuva pudesse me levar...
Existem coisas nas quais nunca se deveria colocar nomes.
Exposto, desfeito, tenho o sentimento de virar poesia no final.


(“Que possa virar poesia” - Roberto Fernandes)

quinta-feira, 27 de junho de 2013

POEMAS DESFAZEM O MUNDO...

                                                                         "Fim de tarde" - Foto: Roberto Fernandes







Os poemas desfazem o mundo, desatam espíritos.
O fogo de palavras lidas ilumina versos através de madrugadas imortais.
Os poemas nos eternizam.
Dizem o nome irremovível do tempo.
Os poemas mudam e são sempre poemas.

(“Sobre Poemas” – Roberto Fernandes )


segunda-feira, 24 de junho de 2013

PASSO, APENAS VEJA...

                                                       "Apenas Veja" - óleo e acrílica sobre papel - Roberto Fernandes







Todas as coisas já estão aqui – o tempo apenas retinha.
Pensava que não havia mais nada.
Que as gavetas estavam vazias.

Não procurei detidamente.
Escolhi os esquecimentos.
A pressa, o fragmento.

A vida é avassaladora, as verdades são fluidas.
Em cada consciência pulsa a verdade.

Um Deus que nos acuda nessa eterna transformação.
Um Deus que nos recolha a escória vertida na evolução.

Tudo já está aqui. E agora sorrio.
Além do desejo e da dúvida, milhões de reflexos.
A ilusão do mundo é que somos todos espelhos.
Tudo uma parte apenas do mistério.
O que seu olhar não vê.

Nesse diverso, remetido às fantasias, passo.
Nesse passeio até o outro lado – outra pessoa -, que penso ser o acaso.
Aqui.


(“Passo” - Roberto Fernandes)







domingo, 9 de junho de 2013

MORRO TODOS OS DIAS

                                                                "Janela Divina" - Digital art - Roberto Fernandes








A água fria mexendo com os pensamentos confusos.
Sobre a pele curtida de sol, o sabonete capitalista deixando alma de flores.
A cabeça fervendo debaixo do xampu.
O coração morno.
O mundo cada vez mais extraordinário.

Textos budistas em doses analgésicas.
Tudo está na respiração. O mérito do aqui e do agora.
Plantação de confiança na fé que resta.
O fazer não-fazendo.

A vida é um gigolô de sorrisos muitas vezes.
Morro todos os dias para depois ressuscitar.
  

( “Morro todos os dias” - Roberto Fernandes)



terça-feira, 28 de maio de 2013

FOI DENTRO DE MIM...

                                                 "Linhas do olho de peixe" - Digital art - Roberto Fernandes







Lá dentro de mim, foi lá, sim.
Nesse infinito portátil que arrasto de lá para cá no mundo.
 
Não me pergunte nada agora.
É tenro ainda. Macio, delicado, indefinido.
Pouco sei desse sentimento que me discorre.
Procurando o lugar certo e a luz perdida.


Minha vida e seus desenganos...
Seu endereço, meu lenço de papel sempre no bolso, o sol e seu contrário.
O imaginário das pessoas.
E um eterno arranhão na lente dos óculos.


Meus amigos, meu amor.
Nunca fui de esconder carinho.
Sempre acreditei na sorte, e seguro firme no guidom quando Deus pedala.


Deságuo no oceano isso que não sei e sinto.
Como um rio de risos e gestos diferentes.
Densamente, como se faz quando de amor perdido.

Sentir são os dois lados do caminho.


(“Foi dentro de mim” - Roberto Fernandes)


quarta-feira, 22 de maio de 2013

SENDO ASSIM

                                                        "Transluz" - digital art - Roberto Fernandes






Em dias assim passa por mim uma interminável fila de insones.
Gente que nem sei se conheço.
Aonde vão esses fantasmas sacudidos pelos espelhos da memória?

Em dias assim estanco em meu texto.
Um grande deserto.
Sentado em minha cadeira de detalhes.
Aturdido pela mixórdia de insolúveis pensamentos.

Em dias assim estou perdido para sempre...

Desando a bradar palavrões.
Os safanões que tenho para o mundo.
Insuficiente.
Fixado nas abstratas vigas do tempo.

Tempo que mede as coisas.
Tempo para cabermos dentro delas.
Cada vez menor.
Cada vez mais rápido.

E vozes rachadas ouço dentro do corpo.
No fundo da carne outras vozes que não são minhas.
Vivi a vida de muitos...
Quanta gente se matou em mim?


(“Sendo assim” – Roberto Fernandes)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O SILÊNCIO...

                                                                       "A luz do abajur" - Foto: Roberto Fernandes






Não foi tempo perdido
Vínhamos pelo mundo extraviados
Medonhos
Sem grandes esperanças ou carinhos

Foi encantamento
Como no primeiro olhar  
Foi o que pudemos obter de melhor
O que fizemos de nosso pesar
Os mortos que dissecamos
Os risos postos em nossos olhos

Carrego esse sentimento sem nome agora
Nas madrugadas pétreas
Na imensa mudez que devora a luz

Suporto seu peso
Onde havia só o desejo de andar e ser feliz pelo mundo
Onde havia muitos nomes ingênuos
Milhares de frases escritas
E as alegrias que eu marcava no calendário

Nossa babel
Nossa incendiária confusão
Tudo como um saco de lixo jogado no vazio
Pela raiva que ficou dilacerante
As feridas no desespero da perda

O silêncio colocado num canto
Como abajur de luz carinhosa
Esperança

Como era antes de você chegar...


(“Silêncio” – Roberto Fernandes)











sábado, 27 de abril de 2013

Quero os dias...

                                               "Flores de mangueira e fruta-de-conde" - foto: Roberto Fernandes






Não espero as noites.
Nunca foram minhas.
Espero os dias.
Que sejam de luz e sombras.

Como o pão que espera a fome.
Ser dividido e multiplicado.
Como o fruto que amadurece pacientemente.
Em silêncio e sabor.
Espero ser colhido por esses dias.


(“Dias” - Roberto Fernandes)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A VIDA É UMA PERGUNTA

                                          "O Trem da Vida" - técnica mista sobre tela - Roberto Fernandes







A vida é uma pergunta.
Está em todo lugar.
Invisível.
Prenhe de dúvidas, é revelação.


Escolhemos existir nesse mistério?


O brilho dos motores.
Desencontros virtuais.
Quase tudo virando trambolho.


Reinamos sobre esquecimentos.
Isso nos soluciona.
Fazemos contagens.


A vida tem que fluir e o que amamos não tem fim.
Eis o rito da passagem.
O delicado entendimento.



(“A vida é uma pergunta” – Roberto Fernandes)


sábado, 20 de abril de 2013

SIMPLESMENTE VÁ...

                                               Esboço de "Menina sentada na calçada" - Roberto Fernandes







Não precisa falar mais nada...
De silêncio transmudo entendo.
Sela-me.
Livra-me.

Desnecessário ouvir seu caos.
Nada sei de outro caos.
Contenha-o.

Você sempre quis tudo.
O querer saltitante.
Desejos volúveis. Insatisfações.
Leve. Tudo.
Vá!
Vá tapar o buraco que come seu coração.


( "Simplesmente vá" - Roberto Fernandes )



terça-feira, 16 de abril de 2013

UM JARDIM EM MINHA SOMBRA

                                                                    "Flor Vermelha" - foto: Roberto Fernandes





Plantei um jardim em minha sombra.
Desse silêncio que agora sou, espero flores coloridas.
Com os olhos mansos e de uma inquietude inexplicável.
Com as mãos brandas, mas de firmeza completa.
Em dias de sol e chuva, vou cuidar desse jardim.
E duradouro, inquebrável, ele vai me seguir para sempre.

(“Meu jardim” – Roberto Fernandes)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O NINHO

                                Detalhe do quadro "O ninho" - técnica mista sobre papel - Roberto Fernandes





Desenho o círculo do ser.
No centro minha guia, uma estrela.
Calculo coerências, olho em volta.
Sem venda, o olhar.

Pessoas são instáveis, qualquer pessoa.
Tenho sido vidente.
Quando falo não tenho a intenção de convencer.
É por mim mesmo.
Pessoas quase sempre são apenas o que imaginamos.

Ando sem pressa.
São desnecessárias as verdades que não suportam as dúvidas.
Renovo, olho. Ovo.
Sementes são sonhos, sirva-se: mas apenas do que sente.
Enorme leveza produzo com o pesar que me trazem.
Tenho sido vidente.

Se não for agora, quando será?

( “O círculo do ser” – Roberto Fernandes)

segunda-feira, 1 de abril de 2013

SOU PRÓXIMO

                                                                         "Sonoro" - digital art - Roberto Fernandes







Muros solitários e paredes insensíveis suportam o mundo.
O vazio que o percorre é o que se desata com o esquecimento.
Sei que isso não se diz sempre.
Nem tampouco desse jeito.
E acrescento que este tempo parece que não passa.
Ironicamente, há algo de fixo no movimento dos pêndulos.

Muros morrem.
Paredes são monstros e rupturas.
Mas, o vazio não abriga o meu silêncio.
Por isso, sou próximo.

(“Sou Proximo” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 26 de março de 2013

LÁ EM CIMA A LUA...

                                                                                 "A lua" - foto: Roberto Fernandes






Vagueio pelas ruas
Lá em cima a lua vagueia também
A cada passo me adentro
(Meu coração se afasta das ruas)
Vou sumindo na noite

As estrelas prendem o céu lá em cima
Aqui tudo se desprende
Nessa sua ausência que é minha foz

Vagueio entre a alucinação e a poesia
Cansado me assento no frio cimento
Sem fim nem começo
Os ecos da cidade grudados em um muro
Onde escrevo a palavra esperança.

(“Sem fim nem começo” – Roberto Fernandes)

segunda-feira, 25 de março de 2013

AINDA HÁ CAMINHO...

                                                      
                                                                    "Kabrum" - Roberto Fernandes





O estrondoso desabamento.
Susto imenso.
Um tempo difícil de passar.
O mundo era um quarto em uma TV ligada.
A dor e as possibilidades.

Colocar o corpo a caminho.
Solidão era conversar sozinho.
Sorrisos que não vinham.

Havia rugas no rosto.
Rugas do sentir intenso.
A penumbra de todos os dias.
Pode pesar toneladas – acreditem.

Sorria humildemente diante do imprevisto.
Uma queda. A maior de todas na vida.
Ilusões e maldades.
Ali em frente. 
Sonhar é importante.

As coisas impostas pelo cotidiano.
Decepções e as discrições que as horas pediam.
Um inferno particular.

Alguns trovões sobraram na garganta.
Para que servem os temporais, justo agora?
Lá dentro de mim uma fogueira acesa.
Uma luz, afinal.

Palavras desconfortáveis, algo tem que ser dito.
Meu Deus, o mundo não é um dicionário!


(Roberto Fernandes)


sexta-feira, 22 de março de 2013

FOLHAGENS

                                                  "Folhagem em Vermelho" (digital art) - Roberto Fernandes








Folhagens. Cores.
No caminho por onde vou.
Distraídas folhagens.
Displicentes. Necessárias.

Meus passos, então, cantam.
Como sempre cantaram.
No caminho por onde vou.
Movimento e vida.

(“Folhagens” – Roberto Fernandes)