terça-feira, 24 de setembro de 2013

LUA

                                                                                                                    "Lua" - Foto: Roberto Fernandes 






A penumbra.
Tranquila massa escura na sala.
Suave.

Passos silenciosos.
Atravesso-a.
A penumbra é sonora.

Da janela miro a lua longe e de prata antiga.
A lua sempre foi minha amiga.
Suas crateras.
Converso com elas.

Enquanto baila sobre copas de árvores que não sei o nome.
Lunar se espalha a linguagem.
Multiplica olhares nas folhas.

A brisa conduz a noite.
Ocupa a sala.
Os móveis divididos pelo lume.
Todo olhar é sem cálculo.

O inevitável da noite.
Deslocamento de emoções pelo corpo.
O pensar incontido, a falta de fome.

Toda cor agora espera.
A janela.
A sala parece cantarolar algo (ou serão os quadros que sussurram?).
Penumbra.
Massa macia.

(“Atravesso a penumbra” – Roberto Fernandes)




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