"A mão que adentra" - Roberto Fernandes - grafite
Ainda busco os sonhos, por isso esse jeito
engraçado.
Preciso das boas emoções – meu olhar de pedinte.
Acredito no poder de um riso, ai que saudade dela.
Ando curioso por esse mundo. Os passos são comigo
pelo seu barulho divino.
Voltado para dentro compreendo o silêncio.
As fronteiras mais íntimas ainda são ignoradas, rabiscos
de mapas... Ainda cresço.
Mutante alegria e tristeza, até parece que a vida é
eterna.
Minha surpresa é inteiramente humana.
Páginas e páginas se soltaram, amarelas de livros, ao
longo do tempo.
Tudo ficou misturado.
As cenas da lembrança, como num filme, passam
rápido.
Um mundo de fotografias governa todos os dias.
Nem todas as leis e nem todos os deuses fazem parte
disso.
Resistência e sobrevivência (há a decomposição e há a
ilusão, que atordoam, sempre...).
As alternativas estão sempre em meu outro lado –
esse que desconheço. Que me conhece.
Ainda acredito, tenho esperança, e isso pode ser
indizível diante de máquinas. Como dizer de respiração.
(“Buscas” – Roberto Fernandes)