terça-feira, 30 de outubro de 2012

PRIMAVERA

                                                                          "Primavera" - Roberto Fernandes (web-art)







Olhei a manhã pela janela
E vi o meu olho acordando no silêncio do olho dela
Saí num sorriso branco
Assoviando atrás da cidade
Veracidade
Com as mãos nos bolsos
Ver a cidade
E correr perigo no coração
Nos tantos caminhos tontos
Que levam
Nossos dias
Nossas veras
Nossas primaveras
Prá dentro da boca da vida.

(“Primavera” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Não que eu possa explicar...

                                " Folhas, vermelha luz de meio-dia"   Foto: Roberto Fernandes







Não que eu possa explicar a vida
A minha ou de outra pessoa
Ou detalhar as surpresas do mundo com palavras
Agarrado a elas
Para conversar um pouco

Não que eu possa explicar algo além do que todos já disseram
Tenho a memória fraca
Felizmente, pelo passar dos anos

Mas como sempre
Sem sentimento não se explica nada
Fico com a síntese: o que posso escrever em uma parede



No fim, as paredes são derrubadas
O vento tem um sabor então
Dos tombamentos

E tudo revolve no ar leve
Como num eterno desejo de simplificação...  (Pelo que possa explicar rapidamente)

Hesito, vento
Escrever sentimentos... Não que eu possa explicar esse abstrato da gente...
Com palavras
Agarrado a elas


(“EXPLICAR O QUÊ?” – Roberto Fernandes)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

MOTEL...

                                                                      "Motel" (Web-art) - Foto: Roberto Fernandes







Te deixo sem tempo
Sem fôlego
Desligo a televisão
Nada mais está lá fora
(Não importa o silêncio que há)

Nos olhamos mais uma vez
A fundo
E brincamos com o fim e suas parecências
Nesse quarto de motel inexplicável
De atapetado ofegante

(“Motel” – Roberto Fernandes)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

ACORDO COM TRÊS OLHOS...

                                                                 "Vermelho" (web-art) - Foto: Roberto Fernandes







Acordo com três olhos no meio da cara.
Vejo tudo ao mesmo tempo.
De tanto olhar ligeiro nada mais vejo. Só fios de imagens.
Mais me prende ou me libera? Esses três buracos agora de olhar...
Assustado, pulo da cama. Salto sem volta - flutuo.
Não toco o chão.
Desviado por alguma leveza.
E solto uma gargalhada : um grito rebelde de vida inteira colada ao chão, um chão de autoridades...
Meu corpo.
Acordo com três olhos e a casa me parece pequena e insignificante - uma caixa de papelão.
Um segredo que não posso mais aquietar ou esconder.
Digo isso empedernido, com esses repentinos olhos.
Nada mais nesse lugar tem cheiro. Nada mais nesse lugar tem nome, ou dono. Tudo foi afastado para eu passar. Com encantos e desencantos...

(“Acordo com três olhos agora” – Roberto Fernandes )