" Folhas, vermelha luz de meio-dia" Foto: Roberto Fernandes
Não que eu possa explicar a vida
A minha ou de outra pessoa
Ou detalhar as surpresas do mundo com palavras
Agarrado a elas
Para conversar um pouco
Não que eu possa explicar algo além do que todos já
disseram
Tenho a memória fraca
Felizmente, pelo passar dos anos
Mas como sempre
Sem sentimento não se explica nada
Fico com a síntese: o que posso escrever em uma
parede
No fim, as paredes são derrubadas
O vento tem um sabor então
Dos tombamentos
E tudo revolve no ar leve
Como num eterno desejo de simplificação... (Pelo que possa explicar rapidamente)
Hesito, vento
Escrever sentimentos... Não que eu possa explicar esse
abstrato da gente...
Com palavras
Agarrado a elas
(“EXPLICAR O QUÊ?” – Roberto Fernandes)