Acordo com três olhos no meio da cara.
Vejo tudo ao mesmo tempo.
De tanto olhar ligeiro nada mais vejo. Só fios de
imagens.
Mais me prende ou me libera? Esses três buracos
agora de olhar...
Assustado, pulo da cama. Salto sem volta - flutuo.
Não toco o chão.
Desviado por alguma leveza.
E solto uma gargalhada : um grito rebelde de vida
inteira colada ao chão, um chão de autoridades...
Meu corpo.
Acordo com três olhos e a casa me parece pequena e
insignificante - uma caixa de papelão.
Um segredo que não posso mais aquietar ou esconder.
Digo isso empedernido, com esses repentinos olhos.
Nada mais nesse lugar tem cheiro. Nada mais nesse
lugar tem nome, ou dono. Tudo foi afastado para eu passar. Com encantos e
desencantos...
(“Acordo com três olhos agora” – Roberto Fernandes )
adoro
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