quarta-feira, 19 de setembro de 2012

GIRO

                                                                     Detalhe de pintura, foto: Roberto Fernandes







Fala demais o meu verso... Como gente que se cria na rua, gente grosseira... Passo vergonha... Palavras de inquietude explodem e pairam no vazio da sala branca, encardida pela pouca luz do mundo.
Falam demais e perdem a pose, a cada verso.
Vexames existentes entre verdades.
(Os versos nunca vão embora lá onde moro, ficam em volta de mim. Atazanam e atrapalham meus passos. Versos fazem perguntas, mil perguntas...).
Escrituras trêmulas de insônia. 
Tentativas, erros e tudo que possa chegar à imaginação.
O peso do conhecimento. As responsabilidades e os esquecimentos devidos..
Caracteres fixam o que quero dizer, e o que não digo nunca. Texto.
Um disse-me-disse infinito desse ofício.
E a caneta desaparece num labirinto de risquinhos engraçados - intermináveis, buscando concórdia.
Com a capacidade de instaurar guerras e paz.  
Cada palavra.
A unidade do verbo, o mundo das conjugações - tudo acontece enquanto medito ou escrevo.
As letras mais calmas nas horas mais difíceis.
Meus versos são escritos por necessidade de me salvar de uma loucura atroz, falo logo de começo.

(a palavra e cada verso - Roberto Fernandes) 




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