Ele, com seu pijama cheio de manchas diárias, enterra
a cabeça dentro da televisão.
Se esconde letárgico, ausente, risonho. Num enredo
de esquecimento. Num desfile de produtos.
Ele, que se desprendeu da vida. (Que vida!)
Com seus grandes pés incansáveis e cheios de fé. Acima
do solo.
Naquelas sandálias azuis de atravessar desertos
azuis.
Ali, naquela colorida ilha de impulsos elétricos.
Como a conceber alguma cura. Ou esperando alguma
resposta de sua mente vazia, despreocupada...
(“Sobre ele e suas sandálias azuis” – Roberto
Fernandes)