Aos gregos e troianos apresento o meu cavalo de pau.
Aos socráticos, por favor, menos cicuta.
Lembro em um filme antigo, Roma ardendo em chamas.
Um corre-corre desgraçado.
Grandes colunas caindo sobre cabeças apressadas.
Já tentaram queimar tanta gente em fogueiras...
E a Terra quase nunca foi redonda.
Não sou besta desde os cachos de Voltaire.
Na perdição do tempo tem sempre um inferno.
Não esqueço as mãos de Da Vinci.
As pedras de Rodin.
O impulsivo Van Gogh e as tempestades angustiantes
de sua solidão.
Há um grande vazio que protege os versos. Há também
as musas.
Meu coração vai fazer cem anos por causa de uma
princesa com voz fina de menina.
(Tempo – Roberto Fernandes)