sábado, 31 de dezembro de 2011

Praia de Casa Caiada

Um final de tarde na praia de Casa Caiada, em Olinda. A referida praia é um reduto de nadadores de mar, que encontraram nela uma verdadeira piscina de água salgada sempre renovada. Pratique natação no mar.

                                                                           Foto: Roberto Fernandes

Em defesa do ecossistema que sobrevive no rio Fragoso.

Luta solitária

Quem anda interessado em saber que fim estão levando as iguanas vistas
nas margens do Rio Fragoso, em Jardim Atlântico (Olinda)? Ao menos ao
jornalista Roberto Fernandes a questão passou a incomodar a ponto de
ser transformada, depois, em pedidos de socorros (nunca ouvidos) a
instituições como o Ibama, em Brasília. Na tentativa de conseguir
aliados para a causa, o rapaz decidiu até se valer do Instituto
Rã-Bugio, de Santa Catarina, de onde recebeu informações importantes.
Procurar especialistas em répteis do Nordeste, também, fez parte das
tentativas, mas a missão, que começou em 2007, continua sem resultados
palpáveis, e os traficantes, à vontade para continuar vendendo um
exemplar da espécie Iguana iguana por míseros R$ 3. Os animais sempre
foram vistos com enorme facilidade na área do Rio Fragoso porque as
águas são berço dos cágados do Nordeste, cujos ovos os alimentam. Com
a captura indiscriminada, no entanto, as iguana estão ficando cada vez
mais raras. Vê-las, é possível, sim, mas amarradas com fios, nas mãos
de jovens que descobriram no comércio ilegal fonte de renda
complementar. Não é a prisão dessas pessoas que interessa ao
jornalista, mas que o órgão de defesa do meio ambiente se dê ao
trabalho de ir ver de perto a situação, mostrando que capturar e
vender esses animais é crime, dá processo e ninguém pode se livrar
dele pagando fiança. Se ao Ibama local não escapa nem papagaio tratado
a pão de ló, o sumiço das iguanas nas margens do Rio Fragoso deve
interessar. É a última esperança do jornalista.
(Texto da jornalista Luce Pereira - Diário de Pernambuco ).


             Fotos: Alison e Roberto Fernandes




"Os óculos do salva-vidas" (técnica mista sobre tela grande)

“Óculos do salva-vidas”  é uma ode ao verão brasileiro, seu sol, seu mar, sua luz, suas cores, sua naturalidade. Sua irreverência.
                                                               Foto: Roberto Fernandes

"A namorada de Matisse"

“A namorada de Matisse” (óleo sobre tela em Eucatex)
O quadro, perceptível, é antigo. Nele há o enigma da mulher, em seus lábios marcantes a lembrança de um amor. É uma homenagem de aprendiz ao genial pintor Matisse – foi ele quem me inspirou à pintura. Em Matisse tive amparo aos meus rabiscos.
Um dia sonhei com ele – isso faz tempo. Ele estava sentado em uma cadeira de balanço, parecia calmo. E se balançava por trás de uma grande tela ainda em branco. Ele dizia, com traços de alegria e dúvidas na voz: Agora, as cores... Agora, as cores.

                                                                                        Foto: Roberto Fernandes

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Pessoas passam, passo...

Pessoas passam pela rua, vagam num planeta passageiro.
Olhares discretos, educados, parciais. Sobreviventes.
Um segredo entre mil: todos calados nas calçadas.

Digo coisas mentalmente entre passos ligeiros. Toco, com as palavras silenciadas, as pessoas.
E com os olhos não digo mais. Nada mais, exatamente. Há dúvidas por todo lado.

Nem mais nem menos, me arrisco ultimamente. Nem um tico que seja...
A sete chaves me resguardo dentro de um tempo que disponho. Mas, indizível, qualquer coisa sobre esse passar de anos.
Secreto. Oculto. Sagrado. Devoto da inocência, é como me sinto diante de toda escassez.
Expulso do paraíso por mera distração...
(Roberto Fernandes).

domingo, 25 de dezembro de 2011

A cidade grande ganha mais um tiro, mais um grito, mais um corpo com todos os compromissos adiados.
A cidade grande despeja comprimidos e vomita sobre calendários. Marca as datas e pede as contas em dia. Pede os dias em que nada se ganha. Pede cabeças. Perde o controle.
Feroz, fere o céu com orações em vão. Vira montanha russa e brinca com os deuses insatisfeitos. Joga as cartas, o caos, aposta alto.
A cidade grande ganha a rua e se perde dentro de mim, do outro lado da janela. A cidade grande não tem remédio.
(Cidade Grande)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Os dias vindouros

                                                                Foto: Roberto Fernandes 

A vida segue, mas nada sabemos sobre os dias vindouros. O mundo é lindo em sua manifestação natural – o mistério das águas, o cheiro da terra, os vários tons possíveis do verde, os ventos, as cores que nos despertam as mais diversas emoções, os aromas doces possíveis... tudo um convite à eternidade, se fosse possível um acordo com o “para sempre”. Temos um fim aqui, sabemos disso desde o começo e é justamente esse o nosso maior esquecimento. Um dia já não estamos mais.

Temos um final aqui – eis a nossa finalidade, passarmos por vales desse mistério todo com a aceitação do efêmero aqui, essa condição estarrecedora. Estamos de passagem e isso nos comove, ao mesmo tempo que aterroriza. Nos beatifica, e emudece,  se deixarmos nos desprender nesse abstrato.

O que chamamos de fim - com cara de bezerro desmamado, com aquela necessidade medieval de um final feliz – é uma longa avenida de mutações. Não sei em que estágio estamos nessa escala de mudanças milenares.

Somos, a maioria, uns tontos. Estamos perdidos entre desejos, ilusões, disputas, erros, acertos, necessidades, vaidades traídas e corridas atrás de ventos. Uma ofegante corrida ao meio dia. Nunca seremos super  – sinto dizer, com alguma tristeza.

Somos breves, enrugaremos, não seremos nunca entendidos, e seremos, no final das contas, descartáveis, a matéria orgânica um dia não nos mais comporta. Tem sido assim à nossa volta.

O que poderá ficar, ficará como sendo uma espécie de semente que se deixa, de possibilidades vivas que se possam disseminar e algumas acontecerem de serem as sementes verdadeiras que salvem.

Ficará a semente de bondade, de aceitação mesmo da dor. Ficará o que conseguirmos plantar sem medo e sem vaidades nos ideais dos que virão. Para que eles tenham o direito de não sofrer mais do que nós. A esperança deve sorrir nos rostos das crianças hoje.

Um ofício de brasas esse nosso, de manter a presença do fogo e da luz em nosso âmago. De não desistir do progresso da vida ao nosso redor, e dentro de cada um.

Eu, já meio caminho andado pela vida que me passou veloz, acho que falhei, me perdi. Despreparado para a sordidez mundana, fracassei - mas tentei desde o começo fazer algo especial. Fazer de toda essa brevidade uma porta para o próximo mundo ou próxima vida -  se nada vier depois não importa, não houve uma segunda intenção.

É o meu compromisso secreto com Deus, em mim. Serei divino e por isso sofrerei caninamente. As pequenas maldades são bem aceitas hoje em dia. Eu já conheço as beiras do mundo.

 No silêncio de minha solidão há um som que acredito ser a voz de alguma alma minha.

Apesar de grandes decepções com o amor, amo. Como um agricultor ama a terra em que padece, e que o alimenta - que sabe que a terra nunca será sua, que a terra um dia irá lhe tragar e apagar suas lembranças.
Amo como uma semente se entrega ao solo, enquanto me pergunto se sementes morrem ao tocar o solo - ou se estavam mortas antes e só começam a viver ao roçar o solo, quando lançadas.

Sorrio então, não estamos sós neste mistério. Devemos ter as mãos mais ávidas doravante.





                                                               Foto: Roberto Fernandes