Luta solitária
Quem anda interessado em saber que fim estão levando as iguanas vistas
nas margens do Rio Fragoso, em Jardim Atlântico (Olinda)? Ao menos ao
jornalista Roberto Fernandes a questão passou a incomodar a ponto de
ser transformada, depois, em pedidos de socorros (nunca ouvidos) a
instituições como o Ibama, em Brasília. Na tentativa de conseguir
aliados para a causa, o rapaz decidiu até se valer do Instituto
Rã-Bugio, de Santa Catarina, de onde recebeu informações importantes.
Procurar especialistas em répteis do Nordeste, também, fez parte das
tentativas, mas a missão, que começou em 2007, continua sem resultados
palpáveis, e os traficantes, à vontade para continuar vendendo um
exemplar da espécie Iguana iguana por míseros R$ 3. Os animais sempre
foram vistos com enorme facilidade na área do Rio Fragoso porque as
águas são berço dos cágados do Nordeste, cujos ovos os alimentam. Com
a captura indiscriminada, no entanto, as iguana estão ficando cada vez
mais raras. Vê-las, é possível, sim, mas amarradas com fios, nas mãos
de jovens que descobriram no comércio ilegal fonte de renda
complementar. Não é a prisão dessas pessoas que interessa ao
jornalista, mas que o órgão de defesa do meio ambiente se dê ao
trabalho de ir ver de perto a situação, mostrando que capturar e
vender esses animais é crime, dá processo e ninguém pode se livrar
dele pagando fiança. Se ao Ibama local não escapa nem papagaio tratado
a pão de ló, o sumiço das iguanas nas margens do Rio Fragoso deve
interessar. É a última esperança do jornalista.
(Texto da jornalista Luce Pereira - Diário de Pernambuco ).
Fotos: Alison e Roberto Fernandes

Nenhum comentário:
Postar um comentário