Em dias assim passa por mim uma interminável fila de
insones.
Gente que nem sei se conheço.
Aonde vão esses fantasmas sacudidos pelos espelhos
da memória?
Em dias assim estanco em meu texto.
Um grande deserto.
Sentado em minha cadeira de detalhes.
Aturdido pela mixórdia de insolúveis pensamentos.
Em dias assim estou perdido para sempre...
Desando a bradar palavrões.
Os safanões que tenho para o mundo.
Insuficiente.
Fixado nas abstratas vigas do tempo.
Tempo que mede as coisas.
Tempo para cabermos dentro delas.
Cada vez menor.
Cada vez mais rápido.
E vozes rachadas ouço dentro do corpo.
No fundo da carne outras vozes que não são minhas.
Vivi a vida de muitos...
Quanta gente se matou em mim?
(“Sendo assim” – Roberto Fernandes)
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