Sonhos estão no ar. Crie asas para os tocar.
Não são capturados como borboletas - sonhos nunca são presos para se mostrar.
Eles vivem no irreal, até que façam parte de seu coração ou cabeça.
De sonhos se fazem muitas vidas imortais. Mas sonhos também se despedaçam, atenção.
Desaparecem um dia. E, nesse dia, para sempre o mundo fica cinza, esquálido. Nada mais tem gosto e fica um sentimento estranho no lugar da alma.
Quando tudo está por um triz é melhor sonhar. Sonhos acordam vontades esquecidas ou mortas.
Deixam mensagens. Levam as contas. Libertam, no final.
Sonhos são o contrário de devaneios. Não se dissipam com a dor e nem com analgésicos.
Sonhos devem despertar luz interior - se não, não é sonho, é um pesadelo.
Um desejo benéfico embala cada sonho. Tem seu propósito no possível.
Sonhos, todos podem ter. Moram em qualquer lugar. Não escolhem casa.
Incansáveis, brotam aqui, ali. E até longe, ou onde nunca poderemos estar. Percorrem rapidamente distâncias. Só quem sonha pode disso falar.
Sonhos existem. É só tentar com afinco. Na fricção de pensamentos. Na fuga de um lamento.
Não são nenhuma criação de outro mundo - nada há para se assustar. E nem adianta eles tentar decifrar.
Não se pode parar no tempo. Sonhe e não pare de sonhar. Como se fosse uma chama, cada sonho vai te velar.
Sonhos moldam sentimentos. Mas deles não adianta falar - pois de sentimentos poucos entendem.
Por isso, muito se deve sonhar.
(“Sobre Sonhos” – Roberto Fernandes)
"A SOBRANCELHA ENGRAÇADA DO MENINO BUDHA"
(técnica: óleo sobre cartão)
Foto: Roberto Fernandes

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