Foto: Roberto Fernandes
"Efemeridade", modelagem em argila. Dar forma tridimensional a um pensamento, a um croqui, um esboço, me pareceu algo divino. Com essa obra quis experimentar o efêmero, essa lei natural que nos condiciona. Perder pela ação do tempo, ganhar pela mesma ação deste tempo que dilapida e modela o espírito - que vai saindo de fininho das engrenagens de um mundo que se repete em vitrinas que aprisionam. A escultura me deu a dimensão divina do efêmero. Ver ruir a criação, assistir a morte do que se amou num mundo destruidor de verdades tão naturais quanto inexplicáveis.
Foto: Roberto Fernandes
Detalhe da escutura "A Trilogia do Homen", esculpida em pedra calcárea. A escultura em pedra calcárea foi minha primeira experiência na expressão plástica. Da pedra, a duras penas, despertei meu interesse pelo fazer arte. Ficava confuso com o chamado que a arte me fazia, as inquietações que me arrebatavam. Não tinha ferramentas para trabalhar no desbaste da pedra nem tinha uma bancada apropriada para tal função, então me sentei no chão com toscas ferramentas vindas de ferragens de carros e me pus a criar nas pedras que encontrava pelos caminhos da cidade de Olinda. A arte me salvou o melhor da alma.
SOBRE POESIA E POETAS...
O cara falou que o poeta finge uma dor que não sente, será ? Não sei, há dores no mundo. Eu, por mim, acho que o poeta de verdade transforma dor em motivação, em movimento, ação. Se não tiver este dom não é poeta, é apenas o rabo de um cachorro. Quero viver num mundo criado e recriado por poetas (de todas as artes e ofícios!).
Poetas, aceitem e transformem para melhor este mundo!
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